3ª Semana de Fotografia

de 28 de outubro a 1º de novembro de 2013

 

A partir desta 3ª Semana, o Foto Clube Pouso Alegre passou a homenagear o ilustre Sr. HYGINO PUCCINI, fundador da Puccini Fotocolor e um dos maiores fomentadores da fotografia em Pouso Alegre e região.

Nesta edição, contamos com as palestras “Fotojornalismo“, pelo jornalista e em sua terceira participação, Nelson Chinalia, em uma reedição atualizada de sua palestra anterior; “Fotografia: uma apreensão do mundo“, onde mais uma vez Leila Silvia L. S. Tourinho, nos apresenta uma concepção filosófica da fotografia através do pensamento de Susan Sontag, na sua obra “Sobre a Fotografia; “Fotografia entre a concepção moderna e contemporânea” pelo doutor e mestre Luciano Bernadino da Costa, que realizou também leitura de portfólio dos associados; “Pinhole / Fotografia experimental” por Sergio Fernandes, que realiza oficinas e palestras sobre a técnica artesanal de fotografia PIN HOLE, precursora do fotografia moderna. Sergio também realizou uma oficina, oportunizando o entendimento prático do tema; e por fim “Proust e a Fotografia: Retratos da Vida, Retratos da Alma” pelo sociólogo e historiador Jair Marcatti, fazendo um paralelo incrível entre as considerações de Marcel Proust sobre a memória e a fotografia.

Fizeram parte da semana as exposições “Paisagens Humanas“, de Rafael Lazzarotto Simioni; “Nostalgia” exposição conjunta dos associados do Foto Clube Pouso Alegre; “Justiça, Trabalho e Cidadania“, também conjunta dos Associados do Foto Clube Pouso Alegre e exposta na Faculdade de Direito do Sul de Minas.

 

Hygino Puccini

A fotografia, como arte voltada ao registro histórico, ao desenvolvimento artístico e cultural, nada seria sem a existência de pessoas capazes de fomentá-la e fazer com que ela atinja sua devida dimensão. Nesse aspecto, a história da fotografia em Pouso Alegre e região se confunde com a de Hygino Puccini. De origem italiana, nascido na cidade de Luca, veio para o Brasil ainda um menino, e alguns anos mais tarde iniciou um trabalho que ainda hoje é orgulhosamente realizado pelos seus descendentes. Em seu tempo, a fotografia era um trabalho artesanal, em nada parecido com o frenesi tecnológico da fotografia contemporânea. Cada foto tinha a importância de um evento, criava expectativa, registrava momentos e realizações. O ato exigia cuidado, preparação, e o resultado era único, precioso. Os associados do Foto Clube Pouso Alegre hoje tentam resgatar essas características em que a fotografia se torna um resultado maior, muito mais que uma mera sucessão de cliques. Por este motivo, O Foto Clube Pouso Alegre decidiu nomear a Semana de Fotografia em sua homenagem, para que os jovens praticantes possam mirar-se em seu exemplo e adquirir um pouco de sua paixão pela fotografia, e possam realizá-la não só como um meio de vida, mas celebrá-la como arte, assim como fez Hygino Puccini.

Exposições

Palestras

Oficina

Análise de Portfólio

z

Palestras

Fotojornalismo

A fotografia jornalística é uma categoria de imagem que surgiu com a finalidade primeira de ilustrar notícias veiculadas na imprensa – ou seja, com um foco explicitamente determinado em relação ao seu espaço de legitimação e propagação. O fato de ter-se estabelecido nesse ambiente, tão previamente delimitado, nos levaria a intuir que o fotojornalismo seria constituído a partir de uma estética diferenciada daquela que determina as outras categorias de imagens técnicas. Nessa perspectiva, o próprio conceito de fotojornalismo apontaria para um campo estético com características peculiares.

Palestrante: Nelson Chinalia
Fotógrafo e jornalista. Foi editor de Fotografia do Correio Popular de1994 a 1998. 
É formado em Jornalismo pela PUC-Campinas, mestre em Jornalismo e Mercado pela Cásper Libero, professor de Fotojornalismo na PUC-Campinas e pesquisador do GEMeF no Centro de Memória da Unicamp.

Em sua carreira recebeu o Prêmio Vladmir Herzog de Fotojornalismo e Direitos Humanos em 1995. Fotografou a Copa do Mundo de Futebol na França em 1998 para os jornais Correio Popular e Diário do Povo de Campinas. 
Coordenou as oficinas e foi curador das exposições Comunidade em Foco do CDI Campinas em 2008 e 2012.

Fotografia: uma apreensão do mundo

O tema Fotografia: uma apreensão do mundo, traz à tona o pensamento de Susan Sontag, na obra “Sobre a fotografia”. Retrata como a autora se utiliza da forte metáfora da alegoria da caverna de Platão na relação imagem e verdade, fotografia e realidade como um paradigma que se fortalece sobretudo na contemporaneidade. Mostra a partir da experiência de alguns mestres da fotografia e do cinema, que fotografar é apropriar-se da coisa fotografada. Significa para si mesmo em determinada relação com o mundo, semelhante ao conhecimento – e, portanto, ao poder. Assim, a fotografia entendida como verdade e realidade, fica à mercê de um indivíduo que, preso na caverna platônica, só consegue enxergar aparências de uma realidade. Um indivíduo fotografando e sendo fotografado, colecionando imagens que se transfiguram na relação entre conhecimento e poder.                                   .

Palestrante: Leila Silvia L. S. Tourinho
Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente é professor assistente da Faculdade Católica de Pouso Alegre. Atua na linha de Pesquisa da História da Filosofia, com ênfase na Filosofia Moderna e Contemporânea

Fotografia entre a concepção moderna e contemporânea

Ao sermos surpreendidos por uma imagem nem sempre paramos para pensar sobre a autoria, sobre sua proposta estética, ou mesmo sobre o contexto em que foram produzidas. Do mesmo modo, ao desejarmos descobrir o mundo através da câmera fotográfica, podemos nos perguntar se estamos dialogando com alguma referência que desconhecemos. Nesse sentido, essa palestra pretende justamente apresentar e refletir sobre dois momentos marcantes da produção fotográfica, o primeiro nas décadas 10-20-30 do séc XX (moderna) e o outro a partir dos anos 60 (contemporânea). Desses dois momentos surgem muitas linhagens fotográficas e possibilidades de pensar e produzir imagens, as quais encontramos na fotografia autoral em nossos dias.

Palestrante: Luciano Bernardino da Costa
Doutor pela FAU-USP na área de Projeto, Espaço e Cultural sob a orientação da Profa. Dra.Vera Palamin. Possui mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2001) e graduação em Ciências Sociais também pela UNICAMP (1991). É professor doutor, em regime RTC, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU-USP) e professor assistente III da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Atua principalmente nas áreas de artes, linguagem da arquitetura e da cidade, fotografia e suas interações com o urbano.

Pinhole / Fotografia experimental

Uma câmara tipo Pin hole pode ser feita de lata, caixa de fósforos ou máquina convencional desmontada. Basicamente, uma Pin hole é uma câmara escura com um furinho em um dos lados da caixa feito com uma agulha e com uma folha de papel fotográfico preso no outro. Ao se abrir o furinho, a luz penetra na câmara e fixa a imagem no papel fotográfico por meio de uma reação química entre a luz e a película existente no papel fotográfico.

Palestrante: Sergio Fernandes
Sergio Fernandes é formado em educação artística com habilitação em artes plásticas pela UNESP. É designer de interiores e arte educador. Há nove anos realiza os Projetos Culturais ‘’Arte Meio de Expressão e desde 2006 desenvolve o Projeto Cultural ‘’Fotografia: uma janela Mágica’’, de foto Pin Hole, na cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais. Artista Plástico experiente, é defensor da atividade artística e de suas inúmeras possibilidades. Acredita que a arte deve estar inserida na educação e no contexto social contribuindo significativamente para a formação cultural do indivíduo.

Proust e a Fotografia: Retratos da Vida, Retratos da Alma

Entre os vários usos e funções da imagem fotográfica, um dos mais facilmente reconhecíveis é o da sua associação com a memória. Tanto no nível pessoal quanto no social, é inegável a capacidade da imagem fotográfica de provocar recordações. Mas qual é a relação da fotografia com a memória? Parte da produção literária do escritor francês Marcel Proust (1871-1922) nos fornece uma possível resposta a esta indagação. A obstinação de Proust em investigar os mecanismos da capacidade humana de relembrar eventos passados resultou em uma literatura em que geralmente a obra de arte é um dos mecanismos desencadeadores, por excelência, da memória. Neste sentido, a fotografia foi uma das artes privilegiadas nas discussões do escritor sobre a memória.

Palestrante: Jair Marcatti
Sociólogo e historiador, professor de Cerimonial e Protocolo do curso de Relações Internacionais da ESPM.

Exposições

Paisagens Humanas

Esta série de fotografias de Rafael Simioni remetem à ideia de paisagem, seja por seu aspecto formal, em que o objeto e o fotógrafo/observador estão dispostos em dois planos opostos, seja pelo que tem de panorama, de apanhado de coisas que ali estão; um “conjunto” ao alcance do olhar. Não são paisagens naturais, obviamente; são paisagens urbanas, repletas de coisas, entes culturais. Talvez por isso, suscitem nos primeiros momentos, uma forte impressão de desordem, ou contrariamente, da busca, em meio à diversidade, de uma identidade, de um todo; orgânico. Tais arranjos (sejam privados, sejam públicos) ainda que aparentemente desertos, pois carecem da figura humana, estão plenos de vida; de marcas, de histórias, de símbolos, de latências. Assim, dessa maneira; vibrando no silêncio, sem proprietários que os vigiem ou censurem o observador, convidam a uma determinada intimidade, prima do voyeurismo. Por minha vez, acordei uma experiência há muito esquecida: Meu pai tinha um criado mudo, desses onde a gente soca objetos de estimação, papéis os mais variados, e mais uma sorte de tranqueiras unidas pela posse. Aquele criado mudo era uma oportunidade ímpar de contato íntimo com meu pai. Não que ele fosse um pai distante, pelo contrário, se encaixava perfeitamente no papel de pai herói, e talvez, por isso mesmo, tinha uma qualidade diversa das outras pessoas com quem então eu convivia, um semi-deus. Fica fácil entender como era uma verdadeira viagem pra mim, sem a presença física do pai, explorar aqueles objetos que lhe conferiam uma dimensão mais real, mais humana, mais próxima; seu cachimbo, um conjunto de futebol de botão que ele pacientemente fez um a um, tão intimamente relacionados à seu próprio pai, alfaiate e à sua juventude. Então observo essas fotografias com um interesse verdadeiramente antropológico, tentando apreender o mundanamente humano que nelas há, ao mesmo tempo, tão singelo e tão profundamente real.

Fotógrafo: Rafael Lazzarotto Simioni
Local: Galeria Artigas
Avenida Doutor Lisboa, 201, Centro –, Pouso Alegre – MG
Data: 25/10/2013 a 06/11/2013

Nostalgia

Toda memória é construção. Ainda que apoiada em uma referência física, material, sempre carrega uma carga de emoção. Portanto, podemos dizer que na verdade toda memória é re-construção. Sim; pois mudamos sempre e continuamente nos refazemos a partir de nossa memória (que nos diz o que somos, ou éramos um minuto antes), ou seja, diante de cada lembrança, nos re-construimos. Sob este aspecto a fotografia tem um papel extremamente relevante, porque sendo capaz de representar imageticamente de maneira acurada uma dada situação, é capaz de “acordar” memórias e emoções insuspeitas nas pessoas que as observam. Estabelecer este contato visual-emotivo é a busca fundamental de qualquer fotógrafo, e por isso “nostalgia” (saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado – segundo o dicionário Houaiss) é o tema de uma das exposições do Foto Clube Pouso Alegre, que fazem parte da programação da Terceira Semana de Fotografia de Pouso Alegre.

Fotógrafos: Associados do Foto Clube Pouso Alegre.
Local: Galeria Artigas
Avenida Doutor Lisboa, 201, Centro –, Pouso Alegre – MG
Data: 09/11/2013 a 21/11/2013

Justiça, Trabalho e Cidadania

Fotografar é um modo de olhar. Um modo de construir um imaginário por meio de uma imagem. Mas é um modo de arquivo também. Um modo de selecionar aquilo que merece ser arquivado e separar daquilo que merece ser esquecido. Ao escolher o momento, o ângulo, o foco e os elementos da composição, o fotógrafo não retrata apenas uma realidade: ele a constrói. Ele a conta como um historiador narra uma história. Deixando o antes e o depois da foto para a imaginação de quem a contempla.

A fotografia também é arquivo, é memória, é registro. E como nos ensinou Jacques Derrida, vivemos em um mundo que está a sofrer do “mal de arquivo”, o mal que afeta a memória social daquilo que procuramos esquecer, daquilo que preferimos não lembrar, daquilo que escolhemos não arquivar, daquilo que reprimimos na nossa existência social.

A memória coletiva deve ter o direito ao esquecimento. A sociedade deve possuir o direito de esquecer seu passado para reconstruir sua história futura. Mas a fotografia subverte esse direito. Ela provoca um “mal de arquivo”. Ela não deixa a sociedade esquecer aquilo que um dia ela retratou.

Com a exposição Justiça, Trabalho e Cidadania, o Foto Clube Pouso Alegre procurou construir um arquivo no sentido da subversão arquivista de Michel Foucault. Uma narrativa anônima sobre pessoas anônimas, sem identidades, sem legendas, sem créditos. Apenas a imagem como arquivo simbólico de uma existência igualmente simbólica, puramente simbólica, provisória e periférica.

Justiça, Trabalho e Cidadania subverte nossa memória coletiva para arquivar, silenciosamente, a prova material de uma existência humana puramente simbólica, provisória e periférica da sociedade moderna.

Fotógrafos: Associados do Foto Clube Pouso Alegre
Local:
Faculdade de Direito do Sul de Minas
Av. Dr. João Beraldo, 1075 – Centro – Pouso Alegre – MG
Data: 25/10/2013 à22/11/2013

Oficina

Oficina de fotografia “Pinhole” (Buraco de agulha)

Oficina de fotografia “Pinhole” (Buraco de agulha),com papel fotográfico P&B e câmeras artesanais.

Conheça os princípios básicos da fotografia experimental realizada com câmeras construídas a partir de materiais alternativos e sem a utilização de lentes.

Captação de imagens e revelação em laboratório químico P&B.

Palestrante: Sergio Fernandes
Sergio Fernandes é formado em educação artística com habilitação em artes plásticas pela UNESP. É designer de interiores e arte educador. Há nove anos realiza os Projetos Culturais ‘’Arte Meio de Expressão e desde 2006 desenvolve o Projeto Cultural ‘’Fotografia: uma janela Mágica’’, de foto Pin Hole, na cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais. Artista Plástico experiente, é defensor da atividade artística e de suas inúmeras possibilidades. Acredita que a arte deve estar inserida na educação e no contexto social contribuindo significativamente para a formação cultural do indivíduo.

Análise de Portfólio

Leitura de Portfólio

A leitura de portifólio é uma ocasião em que o fotógrafo (ou interessado) pode discutir sua produção e suas experimentações em fotografia, com o auxílio de um “leitor” que o oriente a ampliar e a aprofundar o trabalho, indicando referências, cuidados técnicos, modos de apresentação das imagens.

Para essa leitura é pedido que o interessado traga de 15 a 25 fotografias agrupadas por um tema, pesquisa técnica ou concepção estética (retratos, paisagem, etc). As fotos devem ser produzidas em processo fotográfico* em tamanhos que podem variar de 13×18 a 20x30cm. Não se faz qualquer restrição a tratamento da imagem, cor ou preto e branco. No entanto, não serão discutidas imagens que não estiverem impressas em papel.

*Por processo fotográfico entende-se imagens feitas em laboratório fotográfico.

Palestrante: Luciano Bernardino da Costa
Doutor pela FAU-USP na área de Projeto, Espaço e Cultural sob a orientação da Profa. Dra.Vera Palamin. Possui mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2001) e graduação em Ciências Sociais também pela UNICAMP (1991). É professor doutor, em regime RTC, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU-USP) e professor assistente III da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Atua principalmente nas áreas de artes, linguagem da arquitetura e da cidade, fotografia e suas interações com o urbano.

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O Foto Clube Pouso Alegre promove a Semana de Fotografia anualmente, mas, além disso, temos muitos outros eventos e projetos.

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